domingo, 13 de março de 2011

Voando livre

“Não é fácil encontrar a felicidade em nós mesmos e é impossível encontrá-la em
outro lugar.” 
Uma casa nova, uma piscina nos fundos, dois belos carros na garagem e meu
primeiro filho a caminho.
Faltavam apenas alguns dias para eu dar à luz o meu primeiro filho quando uma
conversa com meu marido abalou o mundo em que eu vivia.
- Eu quero estar presente para o bebê, mas acho que não te amo mais - ele falou.
Eu não conseguia acreditar no que estava ouvindo! Ele se afastara de mim durante a
gravidez, mas eu relacionara isso ao seu medo e preocupação em se tornar pai.
Enquanto eu o sondava em busca de explicações, ele me contou que tivera um caso cinco anos antes e desde então não sentia a mesma coisa por mim. Pensando apenas no meu bebê e querendo salvar meu casamento, disse-lhe que podia perdoá-lo e que queria consertar as coisas entre nós.
Aquela última semana antes do nascimento de meu filho foi um passeio emocional numa montanha-russa. Estava tão animada com o bebê, com tanto medo de estar perdendo meu marido e sentindo-me tão culpada às vezes, pois achava que era culpa do bebê isso tudo estar acontecendo.
John nasceu numa sexta-feira de julho. Era tão lindo e inocente. Não fazia idéia do que estava acontecendo no mundo de sua mãe. Estava com quatro semanas quando descobri o verdadeiro motivo do afastamento de seu pai. Não apenas ele tivera um caso cinco anos antes, mas começara a ter um caso durante minha gravidez, e continuava a ter. Então, quando ele estava com cinco semanas, John e eu abandonamos a casa nova, a piscina e todos os meus sonhos desfeitos para trás. Mudamos para um apartamento do outro lado da cidade.
Não sabia que existia depressão tão profunda quanto a que eu entrei. Nunca havia experimentado nada igual à solidão de passar uma hora depois da outra sozinha com uma criança recém-nascida. Alguns dias aquela responsabilidade toda me esmagava e eu tremia de medo. A família e os amigos estavam lá para ajudar, mas, ainda assim, havia muitas horas cheias de pensamentos a respeito de sonhos desfeitos e desespero.
Eu chorava com freqüência, mas me assegurei de que John nunca me visse chorando. Estava determinada a não deixar que isso o afetasse. De algum lugar dentro de mim eu sempre encontrava um sorriso para ele.
Os primeiros três meses da vida de John passaram num borrão de lágrimas. Voltei ao trabalho e tentei esconder de todo mundo o que estava acontecendo. Tinha vergonha, ainda que não soubesse por quê.
Cheguei ao fundo do poço num domingo de manhã, quando John estava com quatro meses. Acabara de ter outra discussão emocional com meu marido e ele saíra como um furacão do meu apartamento. John estava dormindo em seu berço e me peguei sentada no chão do banheiro, encolhida como uma bola, balançando para frente e para trás. Ouvi-me dizendo em voz alta: "Eu não quero mais viver." Depois de dizer isso, o sincio foi arrebatador.
Acredito que Deus esteve comigo naquele dia. Após dizer aquilo, fiquei sentada em silêncio, deixando as lágrimas correrem pelo meu rosto. Não sei quanto tempo se passou, mas de algum lugar de dentro de mim surgiu uma força que eu não havia sentido antes. Decidi naquele momento tomar o controle da minha vida. Não iria mais dar ao meu marido o poder de afetar minha vida de uma forma tão negativa.
Percebi que, ao prestar tanta atenção em suas fraquezas, estava permitindo que
aquelas fraquezas arruinassem a minha vida.
Naquele mesmo dia, arrumei uma mala para mim e John e fui passar o fim de semana na casa do meu irmão. Era a primeira viagem que fazia sozinha com John e me senti tão forte e independente! Lembro-me de que durante a viagem de duas horas eu ri, conversei e cantei para John por todo o caminho. Foi durante esta viagem que percebi como meu filho fora meu salvador durante todos aqueles meses. Saber que ele estava lá todos os dias e que precisava de mim me mantivera viva e me dera uma razão para me levantar todas as manhãs.
Que bênção ele era na minha vida!
Daquele dia em diante, decidi concentrar-me na confiança e na força que me fizeram levantar do chão do banheiro. Ter mudado minha atenção para pensamentos tão positivos transformou a minha vida. Senti vontade de rir novamente e de estar na companhia dos outros pela primeira vez em meses. Iniciei o processo de descobrir o indivíduo que mantive escondido dentro de mim durante tanto tempo - um processo que ainda estou apreciando.
Comecei a fazer terapia logo depois de John e eu termos nos mudado da casa e
continuei com ela durante vários meses depois do dia em que cheguei ao fundo do poço.
Quando não senti mais necessidade de ter seu apoio e aconselhamento, lembrei-me da última pergunta que minha terapeuta me fez antes que eu saísse de seu consultório naquele dia:
- O que você aprendeu? - ela perguntou. Não hesitei em responder:
- Aprendi que minha felicidade tem que vir de dentro.
É esta lição de que me lembro todos os dias e que desejo partilhar com os outros. Cometi o erro, na minha vida, de basear minha identidade em meu casamento e em todas as coisas materiais que cercavam a relação. Aprendi que sou responsável por minha própria vida e felicidade. Quando centralizo minha vida em outra pessoa e tento construir minha vida e minha felicidade em volta daquela pessoa, não estou vivendo de verdade. Para viver de verdade preciso deixar que o espírito dentro de mim seja livre e regozije-se em sua singularidade.
É neste estado de ser que o amor de outra pessoa se torna uma alegria e não algo
que temos medo de perder.
Que o seu espírito seja livre e voe alto!

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